Perder alguém que se ama. Sempre tive muito medo deste momento. E neste temer, o imaginei tantas vezes. Um dia ele chega e o eixo se vai. Nunca se sabe como acontecerá e como se pode reagir. Não adianta se preparar.
Porém fiquei calma e triste. Muito triste.
O mês que me trouxe a vida, também levou meu avô. “Vô Mingo”. Quando penso nele, é sua risada a primeira coisa que me invade. Uma caneca azul cheia de coca-cola. Broa de fubá e miolo com requeijão. Uma casinha de madeira. A maneira de dizer que amava a minha avó. A vontade de aproveitar a vida e a família não o abandonou nunca, nem na hora da morte. Sua alegria ajuda a resistir e continuar seguindo. A serenidade de meu pai me conforta e o desejo de fazer minha avó sorrir me leva adiante.
Este mesmo mês levou também o Ruy-pai. Chamado de “véio” de forma tão carinhosa (ou “tio”, por uma menina de quinze anos que eu era).
Pessoas especiais merecem permanecer, mesmo que apenas na saudade...
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domingo, 19 de setembro de 2010
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